Caríssimos Pais e/ou Encarregados de Educação
Escrevo-vos em nome da Paróquia por causa das crianças/adolescentes/ jovens de que sois responsáveis, para partilhar convosco algumas preocupações e deixar-vos alguns desafios.
Como sabeis, a primeira missão, também na linha da fé, é vossa, uma vez que a Paróquia apenas colabora convosco nesta tarefa, e quero desde já agradecer a confiança crescente que tendes depositado em nós.
Dois mil anos de vida é tempo mais do que suficiente para a Igreja perceber a importância da Família no projecto de transmitir e viver a fé, por isso, desde cedo, à Família também se lhe passou a chamar “Igreja Doméstica”, e também desde as origens da nossa fé surgiu a preocupação dos elementos cristãos em transmitirem a fé aos membros não cristãos da casa, cumprindo desse modo a sua missão evangelizadora.
Hoje, neste mundo em que vivemos, com tanta solicitação e ilusão, a fé e os valores com ela conexos são de uma importância crescente, porque abrem outros horizontes de vida e podem contribuir decididamente para um estilo de vida mais saudável, mais fraterno, mais feliz, e seguramente mais frutuoso.
Quero, pois, em nome da Paróquia, pedir que vos envolvais mais na nossa Paróquia, estando mais presentes nos momentos que marcam a sua vida, nomeadamente no Domingo, acompanhando os mais jovens, fazendo com eles o itinerário da fé, disponibilizando-vos para trabalhar nalgum sector da sua estrutura, dando sugestões para o melhor funcionamento de todos os sectores da vida da Paróquia, etc.
Contamos ainda convosco para encontrarmos caminhos novos e de esperança, que possam dar um rosto renovado a Grândola, às suas novas gerações e a todas as famílias, mesmo àquelas que possam andar mais afastadas da Igreja. Todos são bem vindos e todos fazem falta a esta grande Família, que quer continuar a crescer e a contar convosco.
Uma saudação amiga em Cristo Bom Pastor.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário




Na verdade, a educação e influência dos pais nunca se mantêm apenas ao nível da afectividade e da transmissão de conhecimentos intelectuais e morais, mas abrange também a transmissão da fé, ajudando ou não, ao florescer da vida espiritual da criança e do adolescente. Em declarações à FAMÍLIA CRISTÃ, Maria João Ataíde, educadora de infância e professora de Pedagogia na Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich, esclarece: «Nós sabemos hoje, através das ciências humanas e de orientações teológicas, que a dimensão espiritual, ou seja, a nossa componente espiritual, está presente desde que somos concebidos. Essa dimensão espiritual, tal como a dimensão cognitiva, intelectual, ou a dimensão fisiológica, carece e necessita de alimento e estímulo, para se desenvolver plenamente.» E acrescenta: «A dimensão espiritual é absolutamente indispensável para uma vida mais feliz, plena e realizada, consigo própria e com os outros. Porque esta dimensão é o que nos faz ir acima do mero quotidiano de sobreviver diariamente, ou de realizar diariamente as tarefas de comer, dormir, trabalhar para ganhar dinheiro.»
